TROVAS CASEIRAS
NATAL DE 1996 - SÍTIO JOJUKANA
Poeta mor da família,
de talento, coisa fina
passa horas de vigília
aprimorando sua rima
As crianças passam a noite
não sei fazendo o quê
não dormem e ficam jogando
vídeo game e bibloquê
De quando em vez se ouve à noite
um grito, um uivo, talvez...
será prazer ou açoite?...
O que será desta vez?...
sobressaltado, esperando
um grito ou riso de alguém
pior quando estou amando
no aconchego do meu bem
Lá vem a filha que eu fiz
suplicando o dia inteiro
que quer sair com o Khris
e pro lanche quer dinheiro
Lívia tem tantos decoros
e dotes mil de encantar
o pai diz não aos namoros
não deixa a "gata ficar"
Faço verso alexandrino
Faço trova leandrina
Só não consigo limpar
A boca desse menino
Sai pras noitadas disposto
Cheiroso, tanto bom gosto
usa essência importada
E esconde a zorba rasgada
É igual a questão da viola
No ditado fraudulento
A Carla controla por fora
A Dani consola por dentro
Sabe tudo e mais um pouco
De canarinhos reais
Garante: só fica louco
Com a presença dos pardais.
Se a garota faz sucesso
A loja da mãe faz mais
Ela é o rumo do progresso
De muito pobre rapaz.
No sábado vai à missa
No domingo, ao cemitério
Na semana o compromisso
Co'a LAVISA leva a sério
Promete: vai se formar
Não garante trabalhar
Se o pai lhe dá a padaria
Adeus casório, guria!
É insistente, o menino
Se veste de são-paulino
Critica a fundo o Telê
Mas lá... não há o que fazê!
Jogar, ele joga bem
É ganhador de escala
Quando disputa com alguém
O grandão concentra e cala
Quando a "cegonha" entregou
Escreveu: Pequeno porte
Por dentro se revelou
Virtudes de toda sorte
Bem "falante" essa "Rosa"
Bonita de corpo inteiro
Será - foi poesia ou prosa
Que prendeu o tal engenheiro?!
Daniel, um "big boy"
De fato, mui interessante
Cabelos de girassóis
E passos de elefante
Chamou-os casal de velho
O pai, sujeito engraçado
Se inspirou no escaravelho
Dormindo com os chifres colados
Figura forte e marcante
De hábil comerciante
Cozinheira de requinte
Mesmo em dias seguintes...
Quando o moço a escolheu
Nem de longe imaginava
- Só dorme!... se arrependeu
E quis voltar pra guitarra
Cabelos grisalhos, ó sir
Não é sinal de sapiência
Se o doutor não os tingir
A mestra perde a paciência
Faz da limpeza o seu forte
Pano, rodo e espanador
sujeira pra ele é morte
a bagunça é sua dor
Quando o gordo ronca à noite
a mãe não pode dormir
E diz: lá no frio, no açoite
É melhor do que aqui.
Até o casal do lado
Se "revira" a noite inteira
Dos tempos de namorados
a saudade é prazenteira.
Gritando com as crianças
que tudo deixam jogado...
cada dia há esperança
de ter tudo organizado
Numa coisa a jovem guarda
Por mais que queira, só pensa
Por que a barba é encrespada?
Perguntar não é ofensa!!!
Gente, cães ou passarinhos
trata com suor e paixão
Morre um, chora sozinho...
São todos de estimação!
Do meu velho tchô me lembro
com vontade de chorar
quando chegava setembro
sempre vinha me abraçar
Aniversário eles fazem
mesmo dia, mês e ano
juntos no amor só querem
repartir sorte ou enganos.
Filhos? gostamos à beça
Sem eles somos ninguém
Tá escrito em nossa testa
pais tão corujas... amém.
Da estrada sou grande amigo
ando veloz pois quem quer
carrega sempre consigo
Deus, certeza, amor e fé
Do meu lado há sempre alguém
mesmo quando é livre o assento
É Ele não mais ninguém
que me dá força e sustento
Este ano vem findando
já vem outro em seu lugar
estamos reprogramando
mais momentos de sonhar
Sonhar com o futuro que chega
e se chega vai ficar
nutridos com a certeza
de sempre nos reencontrar
Esperanças bem maiores
possam nos acontecer
peço-te sempre que ores
para que eu possa vencer
Se por alguém a alma pede
põe junto, o seu coração
É certo que Deus concede
seu favor, sua proteção
A todos aqui presentes
uma prece vou fazer
pra que em dias diferentes
prosperem gosto e prazer
Que a riqueza abençoada
esteja em cada um de nós
e que eu termine a "trovada"
desatando todos os nós.